HUB e UnB Lideram Transformação Digital para Reduzir Filas no SUS-DF com Telediagnóstico

Samara Bandeira

O cenário da saúde pública no Distrito Federal está prestes a ganhar um reforço tecnológico de peso. Unindo inovação acadêmica e eficiência assistencial, o Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) consolida seu Núcleo de Telessaúde como um pilar estratégico para expandir o acesso a exames especializados. A iniciativa, que ganha corpo com o PET-Saúde Digital 2025–2027, promete atacar um dos gargalos mais sensíveis da rede: a espera por consultas oftalmológicas.
Abaixo, detalhamos os pontos centrais dessa expansão e a programação dos encontros. Para uma imersão completa nas estratégias e fluxos, confira a entrevista ping-pong exclusiva com o Prof. Thiago F. Castro, coordenador do GT 10, ao final desta matéria.

A Força do PET-Saúde Digital e o Apoio do PAC
A estruturação do grupo de Telesaúde no HUB não é um movimento isolado, mas fruto da convergência entre o programa federal SUS Digital e o fomento acadêmico da UnB. Com a aprovação do PET-Saúde Digital, coordenado pela Profª Valéria Mendonça, foram aprovados 16 Grupos Tutoriais (GTs) que integram ensino e serviço. Somado a isso, o HUB recebeu em 2024 recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para modernização tecnológica, garantindo a infraestrutura necessária para que o telediagnóstico saia do papel.
O Foco no Telediagnóstico: Da Oftalmologia à Cardiologia
O objetivo central do GT de Telediagnóstico é claro: levar o exame até onde o paciente está. O uso de retinógrafos digitais portáteis permitirá que pacientes diabéticos ou hipertensos realizem o mapeamento de retina em Unidades Básicas de Saúde (UBS), policlínicas e até em unidades prisionais.
Como funciona: O equipamento consiste em um smartphone acoplado a um dispositivo óptico de alta precisão.
Laudo Remoto: As imagens são enviadas para o Núcleo de Telessaúde da UFG, que emite o laudo via Oferta Nacional de Telediagnóstico, sem custos adicionais para o DF.
Expansão: O planejamento já prevê a inclusão de exames de dermatoscopia e eletrocardiografia digital, em parceria com as universidades federais de Santa Catarina (UFSC) e Minas Gerais (UFMG).

Formação e Capilaridade: 15 Pontos Estratégicos
Mais do que tecnologia, o projeto foca em pessoas. Após uma capacitação inicial bem-sucedida realizada por webconferência síncrona, o HUB prepara agora uma imersão presencial. O foco são as equipes dos 15 pontos de telessaúde apoiados no DF (09 UBSs e 06 policlínicas).
“A proposta é que as equipes realizem treinamento prático, tirem dúvidas e se apropriem da rotina do exame, com segurança de que se trata de um procedimento simples e executável por profissional treinado”, destaca o Prof. Thiago F. Castro.
Calendário de Implantação
A entrega oficial dos aparelhos e o início dos fluxos assistenciais estão marcados para a segunda semana de março. Nos dias 11 e 12 de março, uma programação intensiva de treinamentos abordará desde a técnica de captação de imagem até o manejo clínico das doenças de base e a continuidade do cuidado na rede de saúde.
Primeiro Dia: Imersão Técnica e Fluxos Assistenciais
Na quarta-feira (11/03), as atividades ocorrem em dois turnos: das 9h às 12h e das 14h às 17h. O dia começa com a mesa de abertura e a apresentação oficial do Núcleo de Telessaúde (NTS), detalhando a cooperação estratégica entre a Secretaria de Saúde (SES) e o HUB-UnB.
A manhã e a tarde serão dedicadas ao desenho operacional da Retinografia Digital, abordando os fluxos da COAPS/COASIS e a rede técnica de Oftalmologia. Os profissionais passarão por um roteiro completo de implementação, que inclui:
Gestão Digital: Treinamento para cadastros em sistemas e plataformas de telessaúde.
Logística Local: Orientações sobre como organizar a unidade de saúde para a recepção e realização dos exames.
Ciclo do Cuidado: Desde a execução técnica do exame até o acompanhamento dos laudos remotos e a continuidade do tratamento do paciente.
Ainda no dia 11, haverá um módulo focado na parte clínica, discutindo os critérios de elegibilidade de pacientes, principais achados oculares e as linhas de cuidado específicas (como retina e glaucoma). O dia se encerra com um treinamento prático de 1h30, utilizando a metodologia da Universidade Federal de Goiás (UFG), parceira na oferta nacional de telediagnóstico.
Segundo Dia: Consolidação e Prática
Na quinta-feira (12/03), a programação segue no período da manhã, das 9h às 12h, focada na consolidação dos conhecimentos práticos e no alinhamento final com as equipes que atuarão na ponta do sistema.

Leia abaixo a entrevista na íntegra para entender todos os detalhes técnicos e operacionais desta iniciativa:

Como surge a iniciativa do grupo de Telesaúde no HUB? Qual a relação com o PET?

A iniciativa do grupo de Telesaúde no Hospital Universitário de Brasília (HUB) surge no contexto da consolidação do Programa SUS Digital, que orienta a transformação digital do SUS por meio da integração entre ensino, serviço e inovação tecnológica. No âmbito da Universidade de Brasília, esse movimento se estrutura com a aprovação do PET-Saúde Digital 2025–2027, que organiza Grupos Tutoriais (GTs) temáticos e dá base institucional, metodologia e fomento para ações de educação permanente, inovação e ampliação de acesso, com articulação direta com o Núcleo de Telessaúde do HUB. Além disso, em 2024 o HUB foi contemplado com recursos do PAC, destinados ao investimento em computadores e equipamentos de apoio estrutural para fortalecimento do Núcleo de Telessaúde. Nesse arranjo, a chegada dos retinógrafos representa uma resposta concreta a uma demanda construída e pactuada entre as iniciativas do Ministério da Saúde, a atuação do HUB/UnB e a organização assistencial da SES-DF, consolidando um eixo de expansão do telediagnóstico com capacidade real de impactar o acesso e a qualidade do cuidado no DF.

Qual o objetivo do GT de Telediagnóstico?

O GT de Telediagnóstico tem como objetivo ampliar o acesso da população do SUS a exames especializados por meio do uso de tecnologias digitais, reduzindo barreiras, qualificando fluxos e contribuindo para enfrentar filas de espera na atenção especializada. Basta imaginar a dificuldade de acesso a especialistas focais, como o oftalmologista: a fila de espera no SUS-DF é elevada e parte importante dessa demanda se relaciona ao acompanhamento de pessoas idosas, hipertensas e/ou diabéticas, que podem desenvolver doenças da retina, como a retinopatia diabética. A proposta do telediagnóstico é levar o acesso ao exame para mais perto das pessoas — em UBS, policlínicas e também em unidades prisionais, onde o deslocamento de pessoas privadas de liberdade para consultas especializadas é especialmente complexo. Nesse contexto, a retinografia digital portátil permite capilarizar a oferta do exame, com laudo remoto realizado pelo Núcleo de Telessaúde da UFG, no âmbito da Oferta Nacional de Telediagnóstico, sem custo adicional para o cidadão ou para o DF, viabilizado por repasses do Ministério da Saúde. Além da teleoftalmologia, o planejamento do GT inclui a implementação de telediagnóstico em dermatologia e cardiologia, com dermatoscopia digital e eletrocardiografia digital, respectivamente, também com laudo remoto e apoio do MS, em interlocução com os Núcleos de Telessaúde da UFSC e da UFMG. A implantação está condicionada à chegada dos equipamentos em aquisição e à pactuação dos fluxos assistenciais com a SES-DF.

Lembro de você comentar que o HUB deverá promover formações em outros ambientes de saúde a respeito da retinografia digital. Como e quando será isso?

A formação inaugurada no HUB foi síncrona, realizada por webconferência, com uso presencial do retinógrafo pela equipe local, mediado por tecnologia: tudo o que o equipamento captava e o que o profissional visualizava era compartilhado em tempo real, permitindo que a equipe da UFG acompanhasse e orientasse ajustes durante a execução do exame. O próximo passo previsto é realizar uma formação presencial, em formato de imersão de até 4 horas, com a vinda de profissional da equipe da UFG (responsável pela oferta nacional de teleoftalmo), voltada às equipes dos 15 pontos de telessaúde apoiados no DF. Esses pontos incluem 09 UBS (sendo 02 UBS prisionais) e 06 policlínicas distribuídas pela maioria das regiões de saúde do DF. A proposta é que as equipes realizem treinamento prático, tirem dúvidas e se apropriem da rotina do exame, com segurança de que se trata de um procedimento simples e executável por profissional treinado. Espera-se, com isso, ampliar a oferta de diagnóstico precoce de doenças da retina, fortalecer a confiança das equipes no seguimento de seus pacientes e qualificar o cuidado com práticas baseadas nas melhores evidências disponíveis.

O que é a retinografia digital? Como funciona o equipamento?

A retinografia digital é um exame de imagem que registra fotografias do fundo do olho, especialmente da retina, permitindo visualizar estruturas como vasos e aspectos da inervação e do tecido retiniano, fundamentais para rastreamento e acompanhamento de doenças. No contexto do projeto, trata-se de uma solução portátil: um aparelho celular acoplado a um dispositivo desenhado especificamente para captar imagens do fundo do olho com qualidade adequada para laudo remoto. Além das imagens da retina, o equipamento também pode captar imagens do olho como um todo, o que pode auxiliar na identificação de alterações como o pterígio (crescimento fibrovascular que pode prejudicar a visão e, em alguns casos, requer tratamento cirúrgico). As imagens são armazenadas digitalmente e enviadas para emissão de laudo remoto, integrando-se ao fluxo de telediagnóstico.

Quais pontos foram abordados na capacitação de retinografia digital?

A capacitação abordou as principais indicações clínicas da retinografia digital, o papel do exame no rastreamento e acompanhamento de doenças oculares, a anatomia do retinógrafo (componentes e lógica de funcionamento), e a técnica de captação das imagens, com ênfase em posicionamento, foco, enquadramento e critérios de qualidade para garantir imagens adequadas ao laudo remoto. Também foram discutidos os fluxos operacionais de registro, armazenamento e envio das imagens no contexto do telediagnóstico.

Qual o nome das pessoas que promoveram a capacitação?

A capacitação foi promovida por componentes do Núcleo de Telessaúde, com apoio e participação da equipe técnica vinculada à oferta nacional (UFG), no âmbito das atividades do PET-Saúde Digital.

Quais benefícios ela pode trazer para os usuários do SUS no HUB?
Os benefícios incluem ampliação do acesso ao exame, diagnóstico precoce, redução do tempo de espera e qualificação das filas de atenção especializada. Isoladamente, a oferta de retinografia digital no HUB poderia ter alcance limitado; porém, integrada às iniciativas do PET-Saúde Digital e ao fortalecimento do Núcleo de Telessaúde HUB/UnB, ela passa a compor uma estratégia mais ampla de ampliação do cuidado, com impacto real na organização da rede, na coordenação do cuidado e na defesa da vida da população do DF.

O equipamento será oferecido no HUB? Quando?

O diferencial do projeto é que o equipamento estará disponível, prioritariamente, nos pontos de telessaúde da rede apoiada. A implantação começará com 15 pontos e a expectativa é expandir progressivamente para outras Regiões Administrativas do DF, à medida que os fluxos forem consolidados. A previsão é realizar a entrega dos aparelhos na segunda semana de março, em solenidade que marcará esse passo importante na expansão e qualificação do Núcleo de Telessaúde HUB/UnB e na ampliação da oferta de telediagnóstico no DF.

Como você avalia a realização da capacitação?

A capacitação foi um sucesso. As equipes do projeto, preceptores e monitores do PET, bem como a gestão da SES-DF e do HUB, demonstraram grande engajamento e entusiasmo com a iniciativa. Como sinal desse impulso, o GT de Tele-educação já produziu um vídeo síntese do evento, e o Núcleo vem se apropriando das ferramentas e metodologias para planejar e executar as próximas capacitações, ampliando a autonomia institucional e a capacidade de escala das ações formativas do projeto.

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