Nos Caminhos da Verdade: um Cordel para o Enfrentamento da Desinformação

Entre relatos e sequelas, um poema

Como a mentira representa uma barreira no trabalho dos agentes da Atenção Primária na Paraíba?

A dificuldade enfrentada pelos profissionais de saúde se transforma em inspiração poética para os pesquisadores do LabECoS-UnB durante o levantamento de dados no Litoral Sul e no Agreste paraibano.

É esse registro de campo em forma de poema que você acompanha a seguir.

Nos Caminhos da Verdade: um Cordel para o Enfrentamento da Desinformação

Vou contar uma história
De um tempo que já chegou,
De um jovem pesquisador
Que no caminho mudou.

Foi no mês de abril, certo?
De dois mil e vinte e cinco,
Quando aceitei o projeto
Sem saber onde ia indo.

Era bolsa do CNPq
Pra pesquisa e formação,
E eu, ainda estudante,
Buscando compreensão.

No Centro de Vivências
Foi meu ponto inicial,
Com apoio de professor
De postura exemplar.

Falavam de Fake News
E da tal desinformação,
De pandemia recente
E crise na comunicação.

Mas logo eu percebi
Que o problema era maior,
Não era só teoria,
Era algo bem pior.

Com equipes de outros cantos
Comecei a dialogar,
Vi que aquele fenômeno
Não parava de avançar.

Seguimos pelos caminhos
Do estado a percorrer,
Entre cidades diversas
Pra escutar e aprender.

João Pessoa e Campina
Foram pontos principais,
Mas também outros lugares
Com vivências bem reais.

No carro, entre colegas,
Havia riso e união,
Motorista e amigos
Dividindo a missão.

Mas quando a coleta vinha
Mudava o tom do lugar,
Pois o campo revelava
O que era de assustar.

Profissionais da atenção
Recebiam com cuidado,
Mas nas falas mais profundas
Havia algo velado.

O instrumento era extenso
Mas preciso no saber,
Cada pergunta trazia
Algo novo pra entender.

E na parte qualitativa
Veio o maior valor,
Relatos sinceros
Com verdade e com dor.

Falavam de redes sociais
E mensagens sem razão,
De medo sobre vacina
E recusa na adesão.

Uma agente comunitária
Falou sem interrupção,
Quase uma hora seguida
Mostrando a situação.

Ali eu compreendi
Sem margem pra duvidar:
A pesquisa naquele instante
Tinha muito a revelar.

Desinformação no campo
Não era coisa banal,
Era força que afetava
Todo o sistema social.
Gerava medo e atraso,
E afastava o cidadão,
Comprometendo o cuidado
E também a prevenção.

Vi estigma e preconceito
E conduta equivocada,
Decisão sem evidência
E saúde prejudicada.

O mais forte, no entanto,
Foi perceber com clareza:
Muitos não refletiam
Sobre tal natureza.

Era parte do cotidiano
Sem crítica ou atenção,
Como se fosse normal
Viver na distorção.

Foi aí que minha visão
Começou a se alterar,
Já não era só pesquisa,
Era forma de enxergar.
Como futuro da saúde
Passei a compreender:
Informação de qualidade
Pode salvar ou perder.

Entre a cura e a doença
Pode haver decisão,
Baseada na verdade
Ou na falsa impressão.

Hoje vejo esse problema
Como algo estrutural,
Que exige enfrentamento
De maneira nacional.

A ciência cidadã
Mostrou força e direção,
Dando voz a quem vive
Essa dura situação.

Transformando experiência
Em saber coletivo,
Construindo caminhos
De impacto positivo.
Romper essas barreiras
Não é só atravessar,
É mudar o pensamento
E o modo de enxergar.

É lutar contra o silêncio
Que insiste em persistir,
Pois a falta de resposta
Também faz o mal agir.

Sigo firme na jornada
Com um novo entendimento:
Pesquisar é resistir
Contra o falso conhecimento.

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